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Trump admite derrota, mas avisa: “Serei o Sr. Veto”

Trump admite derrota, mas avisa: “Serei o Sr. Veto”

O presidente Donald Trump afirmou na noite desta terça-feira, 3, que está “absolutamente disposto” a aceitar o resultado das eleições de meio de mandato, que devem dar aos democratas o controle da Câmara e do Senado. “Vamos, sabe, ficar contentes em trabalhar com eles”, disse em entrevista por telefone ao jornal The New York Times, quando os resultados das urnas já indicavam que a oposição terá o controle da Câmara e do Senado. “Provavelmente vamos chegar a algum acordo”, disse.

O tom conciliador contrasta com o que o presidente havia dito na véspera. Em um evento na segunda-feira, 2, Trump antecipou como lidaria com um Congresso controlado pela oposição. “Acho que vou virar o Sr. Veto”, disse, caso os republicanos perdessem a Câmara e o Senado. “Eles vão mandar coisas. Você veta. E, depois de um mês ou dois com tudo sendo vetado, estão só perdendo tempo, eles vêm até você e você faz um acordo. Acho que provavelmente isso aconteceria, mas espero que não tenhamos de nos preocupar com isso”. Na noite de terça, postou na rede social Truth Social uma foto de um boné vermelho, marca registrada de seu movimento MAGA, com a palavra VETO.

Na conversa com o Times, o presidente atribuiu as derrotas republicanas ao fato de não estar na cédula. “Eu não estava na chapa e, como não estava, não conseguimos levar gente suficiente para votar”, afirmou. No Truth Social, sua rede social, foi além. “Eu não estava na cédula e, se estivesse, teríamos vencido DE LAVADA!”, escreveu. Durante a campanha, em 30 comícios pelo país, Trump repetiu aos eleitores que votassem como se fosse ele o candidato na cédula.

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O presidente disse não se arrepender de ter apoiado a senadora Darline Graham, na Carolina do Sul, e o procurador-geral Ken Paxton, no Texas, ambos derrotados. “Estou olhando os resultados enquanto falo”, disse ao jornal. “Vejo que a Darline perdeu. Uau, isso é incrível. Como você acha que o Lindsey teria se saído se tivesse concorrido?”, acrescentou, referindo-se ao irmão dela, morto em julho.

Trump também defendeu a guerra contra o Irã, que chamou de “uma decisão muito sábia”, embora tenha reconhecido o impacto do preço dos combustíveis. “Eles não se importam com o Irã, mas provavelmente não ficaram felizes com o preço do petróleo”, disse. E garantiu não se arrepender de nada nos dois primeiros anos de seu segundo mandato. “Considero o período de dois anos mais bem-sucedido da história de qualquer presidente.”

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À medida que os resultados saíam, o presidente distribuiu culpas no Truth Social. Atribuiu a derrota do governador do Texas, Greg Abbott, ao fato de ele ter virado um “RINO”, sigla em inglês para “republicano só no nome”, nos últimos seis meses de sua vida política. Também atacou a Fox News por colocar no ar o ex-prefeito de Nova York Bill de Blasio, que chamou de “o pior prefeito da história” da cidade. Segundo Trump, a emissora “tem responsabilidade por essas derrotas” por dar espaço constante à oposição “Dumocrata”, trocadilho com a palavra “dumb”, burro em inglês. “Vou virar comentarista político, do bom e do mau, sobre as razões pelas quais esses candidatos ganharam e perderam!”, escreveu.

Na Casa Branca, o clima foi descrito como “sombrio” e “fúnebre”. Trump acompanhou a apuração no Salão Leste ao lado de assessores como o vice-presidente J.D. Vance, o secretário de Estado, Marco Rubio, e o secretário de Comércio, Howard Lutnick. Alguns convidados foram embora antes das 22h. Segundo pessoas ouvidas pelo Times sob anonimato, o presidente acusou seus assessores de lhe passarem informações erradas sobre as pesquisas. A Casa Branca negou que ele estivesse irritado com a equipe.

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