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Democratas reconquistam o Senado americano e freiam governo Trump

Democratas retomam Senado e impõem duro revés a Trump

O Partido Democrata reconquistou o controle do Senado dos Estados Unidos, conforme projeções divulgadas pela agência Associated Press. O resultado representa uma resposta dura do eleitorado à gestão republicana na capital americana e inaugura um período de maior resistência legislativa contra o presidente Donald Trump. As eleições de meio de mandato refletiram o descontentamento da população com a disparada no custo de vida, o conflito no Irã e denúncias de corrupção envolvendo a administração federal.

Caminho para a maioria Para alcançar a vitória, os democratas triunfaram em redutos tradicionalmente conservadores. Josh Turek superou a deputada Ashley Hinson no Iowa, enquanto Adam Hamilton desbancou o senador Roger Marshall no Kansas. Outros resultados expressivos incluiram a vitória de James Talarico sobre Ken Paxton no Texas, e de Annie Andrews contra a senadora Darline Graham na Carolina do Sul. Em Ohio, Sherrod Brown venceu o senador Jon Husted, e Roy Cooper assegurou a vaga na Carolina do Norte.

A legenda ainda conseguiu defender posições estratégicas que eram cobiçadas pelos adversários. Na Geórgia, o senador Jon Ossoff garantiu a reeleição superando o deputado Mike Collins. Em New Hampshire, o deputado Chris Pappas derrotou o ex-senador John Sununu, assumindo o posto deixado pela aposentadoria da democrata Jeanne Shaheen. Com esses resultados, a oposição atingiu o patamar de 51 cadeiras, assegurando o limite mínimo necessário para obter a maioria na Casa. As disputas no Maine, Alasca, Michigan e Minnesota permanecem em aberto.

Impacto na governabilidade O cenário desfavorável surpreendeu analistas, visto que o mapa eleitoral inicial era considerado vantajoso para os republicanos. Nos momentos finais da campanha, a legenda governista investiu altas quantias financeiras em regiões onde Trump havia vencido com ampla margem nas eleições presidenciais anteriores, com o próprio chefe do Executivo participando ativamente de comícios em zonas conservadoras. Em contrapartida, os democratas capitalizaram a frustração pública com a inflação e a percepção de que o governo priorizava projetos estéticos em Washington em detrimento da redução dos preços dos combustíveis.

A nova configuração do Senado deve alterar drasticamente a reta final da gestão Trump, criando barreiras significativas para a aprovação de pautas governamentais. Entre os principais reflexos está a dificuldade em preservar a maioria conservadora na Suprema Corte, uma vez que o aval para a indicação de magistrados depende dos senadores. Diante da perspectiva de oposição ferrenha, o presidente indicou que recorrerá ao poder executivo para bloquear iniciativas contrárias. Na véspera da votação, Trump disse que, se os republicanos perdessem o Congresso, viraria o “Sr. Veto”.

Apesar do revés no Senado, os republicanos registraram triunfos pontuais, como a vitória da senadora Ashley Moody na eleição especial na Flórida para ocupar o assento de Marco Rubio, nomeado secretário de Estado em 2025. No Wyoming, a deputada Harriet Hageman garantiu a cadeira deixada pela aposentadoria da senadora Cynthia Lummis.

Disputas na Câmara e cenário futuro Enquanto o Senado já tem maioria oposicionista, a corrida pela Câmara dos Representantes segue em apuração, embora com avanço democrata. Para obter o controle da Casa, a oposição precisa de um saldo positivo de três assentos e já obteve êxito ao destituir deputados republicanos em zonas eleitorais decisivas de Nova Jersey e da Pensilvânia, além de conquistar vagas na Carolina do Norte e no Kentucky.

Grandes redes de televisão já apontam que os democratas também assegurarão a maioria na Câmara, embora a Associated Press ainda não tenha oficializado o desfecho. Caso a tendência se confirme, a administração federal enfrentará os dois últimos anos de mandato com ambas as Casas do Congresso sob o comando da oposição política.

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