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James Talarico quebra tabu histórico e se elege no Texas

Democrata James Talarico vence no Texas e quebra jejum do partido no estado

Em uma reviravolta eleitoral de repercussão nacional, o democrata James Talarico superou o republicano Ken Paxton e conquistou uma cadeira no Senado dos Estados Unidos representando o Texas. O triunfo, apontado pelas projeções eleitorais, amplia de forma decisiva a probabilidade de os democratas reassumirem a liderança do Senado norte-americano.

Fim de uma espera de quatro décadas

O feito de Talarico encerra um longo período de domínio republicano no estado. Desde 1994, nenhum democrata conseguia triunfar em uma disputa para um cargo estadual no Texas. No âmbito do Senado, a espera era ainda mais longa: a última vitória da legenda pertencia a Lloyd Bentsen, conquistada em 1988. Com 37 anos, Talarico nem sequer havia nascido quando seu partido venceu a disputa pela mesma vaga pela última vez.

Cifrões pesados e apoio da cúpula republicana

A corrida representou uma das mais vultosas de todo o território dos Estados Unidos. Para tentar resguardar o posto republicano, o empresário Elon Musk destinou perto de 200 milhões de dólares na campanha. Conforme levantamento conduzido pela organização de análise AdImpact, o grupo financiado pelo homem mais rico do globo bancou as seis peças de propaganda eleitoral de maior custo no país no atual pleito.

Além do suporte financeiro maciço, Paxton contou com o engajamento direto das principais figuras da ala conservadora nacional. Donald Trump e o vice-presidente J.D. Vance visitaram a região constantemente para endossar o correligionário, buscando repetir a folgada vantagem alcançada por Trump no estado há apenas dois anos.

Plataforma focada no combate aos privilégios

Deputado estadual de mandato e seminarista de denominação presbiteriana, Talarico moldou sua estratégia com um tom moderado e baseado em valores cristãos. O parlamentar reiterou com frequência que a real fratura no país não ocorre entre “esquerda e direita”, e sim entre “os de cima e os de baixo”.

Ao longo dos debates, priorizou a redução do custo de vida e medidas anticorrupção. Entre as propostas, sugeriu vetar que congressistas realizem transações de compra e venda de ações na bolsa — atividade corriqueira entre membros das duas legendas. Paralelamente, atacou seu oponente de forma direta, qualificando-o como “o político mais corrupto dos Estados Unidos”.

Desgastes e histórico do rival republicano

Aos 63 anos, o procurador-geral Ken Paxton enfrentou a votação sobrecarregado por episódios controversos. Além de ter sido formalmente indiciado por fraude no mercado de capitais, foi alvo de um processo de impeachment em 2023 impulsionado por deputados do próprio Partido Republicano, sob alegações de suborno e mau uso da função pública — processo do qual foi absolvido pelos senadores texanos.

Nas primárias do partido, Paxton havia desbancado o senador John Cornyn sob a bênção de Trump, contrariando alertas de lideranças republicanas que apontavam fragilidade no seu nome. Como reflexo do racha interno, Cornyn jamais manifestou apoio público a Paxton durante a corrida eleitoral.

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