Enquanto as urnas encerravam a votação em diversos estados americanos, o presidente Donald Trump detalhou a tática que pretende adotar caso os democratas consigam retirar dos republicanos o comando do Congresso. A proposta central do mandatário consiste em utilizar sistematicamente o poder de veto para forçar a oposição a negociar.
A dinâmica das negociações via veto
Em entrevista concedida à CBS News durante o dia da eleição de meio de mandato — período em que toda a Câmara dos Deputados e um terço do Senado vão a votos —, o presidente comentou sobre a dinâmica com os opositores. “Historicamente, você veta por alguns meses e depois eles vêm e dizem: ‘Precisamos fazer um acordo’”, disse Trump.
Um dia antes, durante participação no podcast “Pod Force One”, do New York Post, o republicano já havia sinalizado a mesma postura ao classificar o pleito como as “mais importantes de nossas vidas”. Na ocasião, ele declarou: “Acho que vamos nos sair muito bem, mas se não ganharmos, eu veto tudo. Vou vetar, vetar, aí eles vão aparecer e provavelmente faremos alguns acordos no meio do caminho, mas não será tão bom”.
Planejamento prévio e governança sem o Legislativo
A movimentação ocorre após meses de intensa campanha do presidente em diferentes estados para proteger as maiorias republicanas. Nos bastidores, assessores trabalham desde abril em um planejamento estratégico coordenado pela Reuters para assegurar a continuidade das iniciativas governamentais caso ocorra uma derrota nas urnas, além de preparar defesas contra potenciais investigações parlamentares.
O grupo de discussão conta com nomes como o vice-chefe de gabinete Stephen Miller, o diretor do Escritório de Gestão e Orçamento, Russell Vought, e a equipe jurídica da Casa Branca. O objetivo é mapear ações executivas e decretos que dispensem o aval do Legislativo, abrangendo setores como imigração, tarifas comerciais, despesas federais e custos de moradia.
Ações executivas e o controle do orçamento
Entre as alternativas estudadas estão o estabelecimento de novas tarifas sobre turbinas eólicas e minerais críticos, o endurecimento de restrições de vistos para trabalhadores temporários e estudantes estrangeiros, e a reformulação nos critérios de repasses de verbas públicas.
Vought analisa maneiras de direcionar recursos já aprovados pelo Congresso para atender às prioridades da gestão, modificando as regras de subsídios federais e aumentando o peso de indicados políticos na alocação do dinheiro. Informado sobre os preparativos, Trump reforçou a ideia em sua entrevista ao podcast do New York Post: “Acho que vou me tornar o senhor do veto”.
O impacto de uma vitória democrata e o risco de investigações
Atualmente, os republicanos mantêm margens apertadas no Legislativo, com 218 a 214 na Câmara e 53 a 47 no Senado. Para mudar esse panorama, a oposição precisa de um saldo líquido de quatro vagas em cada casa, cenário apontado por pesquisas como provável na Câmara, enquanto o Senado segue indefinido.
Caso perca o controle das duas casas, o governo ainda disporá de prerrogativas executivas significativas em política externa, migratória e comércio exterior, além do veto presidencial sujeito a revisões judiciais. Contudo, o principal temor da administração reside nas comissões de inquérito parlamentar. Advogados governamentais já orientaram funcionários sobre intimações e pedidos de documentos, buscando amparo legal para preservar sigilos de comunicações internas.
















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