O governo federal planeja protocolar no Congresso Nacional a Proposta de Emenda à Constituição que institui a tarifa zero no transporte público aos fins de semana. O envio do texto ocorre em meio à reta final da disputa eleitoral contra Flávio Bolsonaro, enquanto a gestão federal ainda finaliza os detalhes sobre o custo total e a engenharia financeira do projeto.
Fontes da equipe econômica estimam que a medida gere um impacto anual entre R$ 8 bilhões e R$ 12 bilhões aos cofres públicos. Para cobrir os gastos, a estratégia do Executivo envolve o redirecionamento de emendas parlamentares obrigatórias diretamente para os operadores dos sistemas de transporte, utilizando valores já previstos no Orçamento.
Negociações políticas e divergências nos custos
A mudança na destinação de verbas controladas por deputados e senadores deve gerar atritos na tramitação legislativa. O próprio chefe do Executivo admitiu que o tema exigirá articulação política.
“Vai ser uma briguinha com o Congresso Nacional, mas isso faz parte da democracia”, afirmou em entrevista ao SBT.
Além do embate político, há divergências expressivas sobre o montante necessário para viabilizar a gratuidade. Enquanto o governo projeta uma despesa na casa dos R$ 10 bilhões, a Associação Nacional das Empresas de Transportes Urbanos calcula que o valor real alcance R$ 20 bilhões para cobrir sábados, domingos e feriados nacionais, considerando a ampliação de frotas e cidades que já zeraram as tarifas.
Articulação e impacto na rotina dos trabalhadores
Diante da complexidade técnica, parlamentares da base governista já sinalizam abertura para debater fontes alternativas de receita que complementem o uso das emendas. A articulação política no Legislativo já começou, com o deputado Jilmar Tatto buscando a relatoria da matéria junto ao comando da Câmara.
O Palácio do Planalto justifica a medida como um complemento à discussão sobre a redução da jornada de trabalho, com o objetivo de garantir mobilidade para o lazer dos cidadãos nos dias de folga. Contudo, apesar do protocolo previsto para esta semana, a avaliação interna é de que o avanço efetivo das discussões ocorra apenas após o encerramento do segundo turno.
















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