A adoção de uma política de corte artificial na taxa básica de juros poderia provocar uma intensa fuga de capitais e fazer a cotação da moeda americana disparar para a faixa entre 6 e 7 reais. O alerta foi feito pelo ex-ministro da Fazenda Maílson da Nóbrega ao criticar a proposta de reestruturação defendida pelo economista André Lara Resende.
Os riscos da proposta para a coordenação econômica
Para Maílson, a sugestão de alterar a coordenação entre as políticas fiscal e monetária para reduzir gradualmente a Selic carece de respaldo internacional e não possui apoio expressivo entre acadêmicos da área. A estratégia de Lara Resende envolve a criação de um comitê específico para definir diretrizes conjuntas.
Na visão do ex-ministro, essa estrutura configuraria uma interferência inaceitável nas atribuições constitucionais do Congresso Nacional, funcionando como uma imposição sobre a elaboração dos orçamentos futuros. “Significaria dar ordens, digamos assim, na prática, ao Congresso, para aprovar o orçamento de acordo com o que esse conselho”, afirmou Maílson da Nóbrega.
Paralelos históricos e o fantasma da inflação
O ex-titular da Fazenda também resgatou o histórico da política econômica adotada durante a gestão da ex-presidente Dilma Rousseff, quando pressões políticas resultaram em reduções forçadas da Selic. Segundo ele, aquela condução voluntarista ignorou as expectativas do mercado e teve consequências graves para o país.
“E qual foi o efeito? A inflação voltou, a situação piorou. Isso contribuiu para o impeachment da presidente Dilma”, afirmou. Para o especialista, tentar repetir uma experiência com características semelhantes representa um enorme perigo para a estabilidade macroeconômica nacional.
O uso das reservas internacionais e a defesa da credibilidade
Outro ponto de forte contestação envolve a sugestão de utilizar as reservas cambiais do país para conter a pressão sobre o câmbio durante a transição da nova diretriz. O Brasil conta com cerca de 350 bilhões de dólares em ativos internacionais, montante que o ex-ministro classifica como um importante colchão de segurança contra instabilidades globais.
“Usar essa reserva como uma forma de testar uma ideia que não foi aplicada em canto nenhum do mundo, não tem o apoio da comunidade acadêmica internacional”, criticou Maílson, reforçando que o plano é debatido há mais de uma década sem ser adotado por nenhuma autoridade monetária relevante.
Diante do cenário de incertezas fiscais e pressões inflacionárias, o economista defendeu que a atuação do Banco Central deve priorizar a preservação de sua reputação perante os agentes econômicos. “Diante de tantas confusões e incertezas, eu acho que o melhor que o Banco Central fará é preservar a sua credibilidade”, concluiu.
















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