A promessa de Flávio Bolsonaro de injetar 200 bilhões de reais dos cofres públicos na quitação de débitos de cidadãos e empresas gerou forte repercussão na reta final da disputa presidencial. O plano foi alvo de severas críticas do economista e ex-ministro da Fazenda Maílson da Nóbrega, que apontou uma grave contradição na estratégia eleitoral do senador.
Inviabilidade financeira e operacional Durante análise no programa apresentado por Marcela Rahal, o especialista classificou a medida como “absolutamente sem sentido” e destacou que a iniciativa colide com o discurso de responsabilidade fiscal.
O economista questionou a viabilidade da medida ao comparar o montante anunciado com o orçamento disponível da União. “Como é que ele vai colocar 200 bilhões do Tesouro Nacional quando a disponibilidade de gastos obrigatórios e discricionários, aqueles que o governo pode manejar, é de 235 bilhões?”, questionou o ex-ministro.
Desafios na cobrança e risco moral Além do impacto orçamentário, o especialista alertou que o Tesouro assumiria o papel de credor após conceder prazos de carência. Na visão dele, a administração federal carece de estrutura logística e jurídica para cobrar milhões de inadimplentes em todo o país.
Outro ponto sensível levantado é o incentivo ao endividamento irresponsável, conhecido como risco moral. A percepção de que o Estado pode atuar como socorrista de compromissos privados enfraquece o cumprimento de obrigações financeiras e prejudica a estabilidade das contas públicas a longo prazo.
Resistência a reformas estruturais As críticas estendem-se à recusa do candidato em apoiar ajustes fiscais profundos, como a revisão de pisos constitucionais e despesas atreladas ao salário mínimo. Para o ex-ministro, essa postura visa proteger o capital político na corrida eleitoral, mas compromete a governabilidade futura.
“Isso é ruim, porque se ele tiver, se não fizer isso, o governo dele vai ser um desastre. E se ele fizer, ele contraria suas próprias declarações”, afirmou o economista.
Ceticismo do mercado financeiro Enquanto parte do mercado demonstra otimismo com a candidatura na expectativa de uma guinada econômica, Maílson avalia que o entusiasmo pode ser precipitado. A aprovação de pautas impopulares exige forte capital político e articulação no Congresso.
“Eu acho que a Faria Lima exagera na percepção de que o Flávio vai fazer as reformas ou qualquer que seja o presidente vai fazer as reformas”, pontuou.
A divergência entre o discurso de campanha e a realidade da gestão pública coloca em dúvida a sustentabilidade do programa econômico defendido pelo senador na reta final da corrida pelo Palácio do Planalto.
















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