Uma nova onda de influenciadores digitais gerados por inteligência artificial está confundindo usuários nas redes sociais. A técnica consiste em pegar vídeos de criadores reais, inserir personagens sintéticos nas imagens e republicar o material. Usuários mais desatentos frequentemente confundem as produções com gravações legítimas.
Evolução dos avatares virtuais O uso de personagens sintéticos no mercado não é exatamente novo. A Magazine Luiza apresentou a Lu em 2003, que ao longo dos anos ganhou idade, novos visuais e proximidade com o público. Naquela época, a origem computadorizada era evidente. Atualmente, os recursos tecnológicos geram aparências hiper-realistas, intensificando a sensação de proximidade com o consumidor.
Fenômenos internacionais da inteligência artificial No cenário internacional, a Higgsfield AI se destaca como uma das principais agências do setor. Um de seus maiores expoentes é Jean Philanthrope, persona com visual exótico que acumula mais de 400 mil seguidores e 82 milhões de visualizações. Embora o perfil deixe claro o uso de tecnologia, parte do público ainda questiona a veracidade. “Mas os reflexo dele na mesa, eles alinharam tudo com todos os movimentos. Alguém já provou que é IA ou é só um rumor?”, escreveu uma seguidora em um comentário.
O sucesso dos avatares sintéticos no Brasil No território brasileiro, o destaque vai para o perfil inspirado em Vetor, personagem da animação Meu Malvado Favorito. Marôni Duarte replica o figurino, o corte de cabelo e a postura do vilão, acumulando mais de 400 mil seguidores. O criador virtual já realizou collabs com celebridades como Neymar, Gabriel Medina, Virginia e Ana Castela, sendo que a gravação com a cantora sertaneja ultrapassou a marca de 4 milhões de visualizações.
Outro caso de grande repercussão nacional foi o de Marisa Maiô, desenvolvida pelo artista Rao. A personagem comanda um programa próprio e satiriza acontecimentos virais do país. Após um período inativa desde outubro, a conta retornou para abordar temas políticos, acumulando 200 mil seguidores e postagens que alcançaram mais de 27 milhões de visualizações no Instagram.
Segurança jurídica e contratos milionários Jessica Bartlett é o CEO da Verge Agency, empresa de agenciamento de influenciadoras de IA nos Estados Unidos. Ela afirma que trabalha para que os clientes estejam seguros quando compram algum produto ou fecham parcerias com os personagens. “Espero que vejamos, cada vez mais, essas expectativas refletidas em contratos com agências, acordos com marcas, exigências de seguros e processos de diligência prévia. Quando a identidade digital de um influenciador pode valer milhões de dólares, proteger a integridade de suas contas deixa de ser algo opcional”.
Desafios e perspectivas no mercado nacional Como essa iniciativa ainda é recente no Brasil, a contratação direta desses avatares por marcas ainda é pouco comum. Contudo, a participação de criadores humanos em postagens conjuntas tem impulsionado o engajamento e acelerado a expansão desses perfis sintéticos.
Apesar da diversidade de plataformas de criação, a estratégia costuma ser a mesma: duplicar conteúdos pré-existentes. Embora alguns avatares consigam dialogar com a audiência, o maior apelo está em publicações bem-humoradas e fantasiosas, feitas sob medida para confundir quem tem dificuldade para distinguir a realidade da computação gráfica.
















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