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Ibovespa sobe na abertura com IPCA-15 e clima de eleição

Ibovespa abre em alta de 0,12% com inflação e eleições no radar

O principal índice da bolsa brasileira iniciou as negociações desta sexta-feira, 23, com valorização de 0,12%, atingindo 204.372 pontos, impulsionado pela divulgação de dados oficiais de inflação e pressionado pelo ambiente político.

Eleições presidenciais e cautela nos negócios

A proximidade do segundo turno da disputa presidencial, agendado para o próximo domingo, 25, gerou um clima de cautela entre os participantes do mercado financeiro. Os investidores monitoram de perto os levantamentos do Instituto Datafolha, que mostram um cenário de empate numérico entre os postulantes ao cargo, avaliando as repercussões que o pleito trará para a responsabilidade fiscal e a trajetória das taxas de juros no país.

Essa indefinição em relação ao comando do país pode motivar a diminuição na exposição a ativos de maior risco antes do fechamento semanal, visto que a alta recente da bolsa vinha sendo sustentada por apostas em transformações na política econômica.

Segundo Edgar Araújo, CEO da Azumi Investimentos, a proximidade da votação tende a incentivar uma postura mais defensiva, com redução de posições em ações e maior procura por proteção cambial. “O empate numérico apontado pelo Datafolha aumenta a cautela neste último pregão antes da eleição”, afirma. O câmbio oscilava na casa de 5,04 reais nos primeiros minutos de negócios, patamar interpretado pelo especialista como um sinal de estabilidade temporária que não anula as ameaças atreladas ao pleito.

Comportamento da prévia da inflação

No campo macroeconômico, o destaque do dia foi o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo 15 (IPCA-15), que registrou alta de 0,32% no mês de outubro, ficando abaixo da projeção de 0,45% calculada por Araújo. O indicador também apresentou arrefecimento na comparação com setembro, período em que havia avançado 0,70%.

Apesar da desaceleração mensal, o índice em 12 meses subiu para 4,62%, superando a marca de 4,47% apurada no intervalo anterior, com alta disseminada em oito dos nove segmentos investigados.

Para o executivo da Azumi Investimentos, a leitura benigna do IPCA-15 corrobora a expectativa de manutenção no ciclo de redução da taxa Selic, o que favorece papéis de companhias ligadas ao consumo interno, como o comércio varejista e a construção civil. Contudo, a taxa acumulada ainda requer vigilância. “O resultado fortalece a possibilidade de continuidade dos cortes da Selic, sem justificar, isoladamente, uma aceleração”, avalia.

Expectativas para o próximo pregão

Enquanto o arrefecimento nos preços serve de alívio para os negócios, o horizonte político restringe o apetite ao risco. A avaliação geral é de uma sessão volátil, com administradores de recursos rebalanceando portfólios diante do encerramento da semana e da proximidade da votação de domingo, cujos reflexos reais só serão medidos na abertura dos mercados na segunda-feira, 26.

Além dos fatores internos, cotações elevadas do petróleo e instabilidades externas também influenciam o comportamento cauteloso do empresariado. Na visão de Edgar Araújo, o comportamento inicial dos negócios na semana seguinte estará atrelado ao grau de surpresa que o pleito trará frente aos preços atuais, ao passo que a manutenção de qualquer tendência dependerá dos primeiros acenos sobre as contas públicas, a montagem da equipe econômica e a governabilidade do futuro mandatário.

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