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‘Precisamos de paixão ao olhar para uma pessoa com deficiência’, diz Daniel Dias, ex-nadador paralímpico

‘Precisamos de paixão ao olhar para uma pessoa com deficiência’, diz Daniel Dias, ex-nadador paralímpico

O ex-nadador Daniel Dias é o maior medalhista brasileiro em Paralimpíadas. Foram 27 medalhas, sendo 14 de ouro, sete de prata e seis de bronze, em quatro participações. Há dez anos, na Rio 2016, recebeu o apoio da torcida da casa ao subir nove vezes ao pódio. A edição também foi um marco para o esporte paralímpico brasileiro, com a inauguração do Centro de Treinamento Paralímpico Brasileiro (CTPB) na cidade de São Paulo. 

Em celebração aos dez anos da Rio 2016 e da inauguração do espaço de treinamento, o ex-nadador e outros nomes do esporte paralímpico brasileiro conduziram um tour pelo CTPB e uma exposição sobre os Jogos Paralímpicos Rio 2016.

A exposição segue aberta no CTPB até 27 de novembro com horário de visitação das 9h às 17h e entrada gratuita, sem necessidade de ingressos, na Rodovia dos Imigrantes, km 11,5, na Vila Guarani, na cidade de São Paulo.

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Em entrevista a VEJA, Daniel Dias falou sobre o legado da Rio 2016 e o desenvolvimento do esporte paralímpico no Brasil:

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Qual a importância de um espaço como o Centro de Treinamento Paralímpico Brasileiro? Apesar de ter tido pouco tempo para a preparação dos jogos do Rio, a gente conseguiu treinar aqui, pôde viver um pouco aqui e depois disso teve mais duas paralimpíadas e não à toa o Brasil na última ficou em quinto lugar. Esse é um grande legado em que estamos pisando e que fica não só para natação, não só para atletismo, mas para todo o movimento para todo o esporte paralímpico brasileiro. Quando eu venho aqui vejo novos talentos, crianças conhecendo as modalidades. Eu queria ter tido essa oportunidade, mas eram outros tempos e hoje essas crianças podem vivenciar outras modalidades e descobrir ‘eu gosto de futebol ou gosto de atletismo’. Dessa maneira, eu não tenho dúvida, que nós vamos descobrir novos talentos, mas acima de tudo, vamos contribuir na formação desse cidadão.

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Depois de se aposentar na Paralimpíada de Tóquio, realizada em 2021, você sente falta de estar nadando e competindo? Competir é maravilhoso, sinto falta desse ambiente, sem dúvida nenhuma, onde você encontra os atletas, você ri. Esses momentos são muito bacanas, é um momento sim que sem dúvida eu sinto falta. Mas eu também posso dizer o seguinte: eu fui muito realizado no esporte, eu conquistei muito além do que eu imaginava e Deus me permitiu conquistar muito além. Então, eu sinto saudade desses momentos, mas vejo também que eu fiz o que era preciso e parei no momento certo, era o momento de parar, era o momento de, como diz Clodoaldo Silva, pendurar a sunga, dar as últimas braçadas Quando eu olho aquela piscina, a vontade de nadar é de nadar, é de estar mergulhando, mas me sinto muito realizado em tudo que eu fiz.

Além da inauguração do CTPB e da Rio 2016, há dez anos você conquistou o Prêmio Laureus, que voltou a ser conquistado por um brasileiro neste ano com o Gabrielzinho. Qual o significado dessa marca atingida por ele? O Gabrielzinho ganha esse troféu Laureus, se torna o segundo paralímpico da história. É um menino incrível, que realmente tem muito a brilhar ainda. E eu vejo o quanto tem o brilho no olhar, o quanto ele é dedicado, o quanto ele realmente é diferenciado. Ao falar dessa nova geração, vou falar do Gabrielzinho sem dúvida, porque ele está sendo a cara do movimento paralímpico hoje, é a cara do Comitê Paralímpico Brasileiro, nós precisamos sempre ter essas referências. E que bom que é alguém da natação, que bom que é alguém carismático como ele é, talentoso como ele é, mas acima de tudo, compreendendo o papel dele também, de ser essa referência e dar continuidade na história que está sendo escrita por tantos que fazem parte de tudo isso aqui.

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O Brasil já é uma potência paralímpica, mas ainda enfrenta dificuldades. Quais são os principais obstáculos? O obstáculo é você dar oportunidades. Vamos dizer que o comitê foi entendendo isso e hoje tem escolinha paralímpica funcionando e é muito bom. Porque se tem uma tendência de olhar para a alta performance, para a elite do esporte paralímpico brasileiro, mas nós precisamos fomentar também, fomentar a base, fazer as crianças entenderem, trazer a população para conhecer o centro de treinamento paralímpico. E é através disso aqui, de uma conversa que a gente vai tendo, você vai escrever sobre isso, você vai falar sobre isso, vai nos ajudar sobre isso, e de talvez um Quando você me viu em 2012 eu não imaginava que isso podia acontecer, então isso é muito legal, é maravilhoso, porque mostra o quanto você vai, que eu acho que é uma palavra legal, vai trazer uma paixão para uma matéria como essa. E nós precisamos disso, Nós precisamos ter uma paixão quando olhar um lugar desse [CTPB], nós precisamos ter uma paixão quando olhar para uma pessoa com deficiência. Nós precisamos justamente fomentar ainda mais. Se um dia você encontrar uma família que tenha uma criança com deficiência, fale do esporte paralímpico, não quer dizer que ela vai ser medalhista. Mas isso vai contribuir demais na formação dessa pessoa, dessa criança, vai ajudar muito essa família. Nós precisamos disso, precisamos desse movimento. Para mim o melhor marketing que existe é o boca a boca. Eu acho que essa é a melhor propaganda e é isso que a gente precisa fazer cada dia mais.

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