A passagem de uma sequência de tempestades severas causou devastação, deixou quatro vítimas fatais e provocou extensos danos estruturais nos três estados da Região Sul do Brasil. O avanço da instabilidade climática veio acompanhado de vendavais violentos, precipitações torrenciais, queda de granizo e enchentes, mobilizando forças de segurança e equipes de socorro em dezenas de localidades gaúchas, catarinenses e paranaenses.
Vítimas fatais e registro de tornados
O quadro mais grave envolve a perda de vidas humanas. Em Santa Catarina, duas mortes foram confirmadas pelas autoridades. Na cidade de Rio Negrinho, às margens da rodovia BR-280, a cobertura de um posto de combustíveis desabou sobre um jovem de 20 anos, que não sobreviveu após ser levado ao hospital. Em Xanxerê, uma mulher de 46 anos morreu após sofrer uma descarga elétrica. O município, inclusive, teve a passagem de um tornado confirmada pelos meteorologistas da Defesa Civil, fenômeno destrutivo que também atingiu Chapecó.
No Rio Grande do Sul, outros dois óbitos estão sendo investigados para apurar a ligação direta com o mau tempo. Um motociclista de 44 anos, dado como desaparecido desde quarta-feira em Sagrada Família, foi encontrado sem vida. Já no município de Cacique Doble, o corpo de uma idosa de 71 anos que residia sozinha foi resgatado próximo a um curso d’água a 20 metros de sua casa.
Rastro de destruição nos municípios gaúchos
O balanço oficial divulgado pela Defesa Civil do Rio Grande do Sul aponta que 134 municípios enfrentaram ocorrências, com prejuízos materiais ou humanos reportados em 130 deles. No total, 67.526 moradores foram atingidos, havendo 25 pessoas feridas, 97 desabrigadas e 289 desalojadas.
O impacto sobre a infraestrutura habitacional foi severo: 14 imóveis foram completamente destruídos, 7.013 sofreram danos variados, 2.422 perderam os telhados com o vento e 110 acabaram invadidos pelas águas. Entre os locais em situação mais crítica destacam-se:
- Nova Prata: contabilizou 2.700 residências danificadas e 15 indivíduos com ferimentos;
- Espumoso: registrou 15.201 pessoas prejudicadas e 600 casas danificadas;
- Passo Fundo: acumulou 1.035 imóveis afetados por forte granizo, além de estradas interditadas e prédios escolares avariados;
- Frederico Westphalen: somou 630 casas destelhadas pela força das rajadas de vento.
Operações de resgate e danos estruturais em Santa Catarina
O Corpo de Bombeiros Militar catarinense atendeu 671 chamados distribuídos por 76 cidades. As ações de salvamento foram intensas no Vale do Itajaí e na Serra, superando 110 resgatados entre Lages e Rio do Sul. Em Lages, 76 moradores e um animal foram retirados de áreas tomadas pela enchente, incluindo a evacuação de 60 pessoas abrigadas em um colégio central.
Em Rio do Sul, equipes de socorro retiraram 30 pessoas ilhadas em uma escola na Barra do Trombudo e resgataram quatro crianças e uma idosa de uma residência alagada. Na madrugada, um homem de 22 anos foi salvo ileso com o uso de um bote enquanto se equilibrava sobre o teto de um veículo submerso em meio a uma plantação de arroz.
No Oeste, mais de 400 famílias precisaram de auxílio dos bombeiros em Chapecó, onde o aeroporto municipal teve hangares e o saguão avariados. Em Xanxerê, onde a própria corporação teve o quartel destelhado, houve a distribuição de 302 lonas. Segundo o tenente-coronel Alcântara, do Corpo de Bombeiros Militar de SC, a central de operações foi reforçada para atender a região de Chapecó. “O número de ocorrências nesse momento tem a ver com o corte de arvores e entrega de lonas à população”, explica ele.
Queda de estrutura atinge quartel no Paraná
No Paraná, um vendaval durante a madrugada atingiu as instalações do 5º Batalhão de Bombeiros Militar, situado em Maringá. A cobertura metálica do prédio administrativo foi arrancada e arremessada contra o pátio externo, esmagando cinco viaturas. A queda de uma árvore também danificou uma ambulância — que seguiu em funcionamento — e prendeu outro automóvel sob os destroços.
A força da água provocou infiltrações no andar superior da unidade e na sala de servidores de TI. Ninguém se feriu. Militares de Curitiba, Ponta Grossa, Cascavel e Londrina foram deslocados para reforçar as ações de corte de árvores e liberação de ruas na região.
Alerta máximo para bacias hidrográficas e previsão de novos temporais
Mesmo com tréguas momentâneas, o cenário hidrológico no Rio Grande do Sul inspira alerta severo devido a volumes pluviométricos que chegaram a 120 milímetros na metade norte. O rio Uruguai, em Iraí, entrou em cota de inundação com tendência contínua de alta. Situação semelhante ocorre com o rio Taquari, em Lajeado, que superou a cota de atenção. Há risco muito alto de cheias expressivas em Dona Francisca (bacia do Jacuí) e alerta alto para Travesseiro (rio Forqueta).
A previsão meteorológica sinaliza o retorno de tempestades isoladas com granizo para as faixas Norte e Noroeste. No fim de semana, rajadas de vento podem ultrapassar a velocidade de 80 km/h, com pedras de gelo de grandes proporções e volumes de chuva estimados em até 90 milímetros em pontos do Centro, Missões, Norte e Nordeste gaúchos.
Diante da instabilidade contínua, os órgãos de proteção recomendam que condutores e pedestres jamais atravessem vias alagadas, permaneçam afastados de fiações elétricas rompidas e evitem realizar manutenções em telhados durante as intempéries, procurando locais seguros ao primeiro sinal de perigo.
















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