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Redução da maioridade penal gera atrito e incerteza na base de Lula

‘Parece estelionato eleitoral’: a pauta que provoca ansiedade na base aliada de Lula

O recente adiamento da votação sobre a redução da maioridade penal no Congresso Nacional gerou forte desconforto entre os parlamentares que apoiam o governo de Luiz Inácio Lula da Silva. A promessa, que havia sido incorporada pelo petista durante a corrida eleitoral, foi retirada da pauta após uma articulação entre os presidentes do Senado, Davi Alcolumbre, e da Câmara dos Deputados, Hugo Motta.

O impacto do recuo político

A decisão de Alcolumbre de segurar a votação para aguardar o posicionamento dos deputados — em meio à tramitação da PEC da Segurança Pública — evidenciou os obstáculos que o Palácio do Planalto enfrenta para transformar compromissos de campanha em realizações práticas. Para o colunista Robson Bonin, a forma como a pauta foi escanteada causa preocupação nos bastidores governistas. “Parece estelionato eleitoral”, afirmou o jornalista durante o programa VEJA em Foco, apresentado por Marcela Rahal, ao comentar a repercussão do tema entre os aliados.

Desgaste e falta de empenho

Ainda de acordo com a análise, o problema político se agrava porque Lula assumiu a pauta durante um momento crítico do segundo turno contra Flávio Bolsonaro, mas deixou de articular politicamente para garantir o avanço do texto no Legislativo. “Esse assunto, na verdade, está angustiando muito a base aliada do presidente Lula”, declarou o colunista, ressaltando que a inércia do Executivo contrasta com o discurso adotado nas urnas.

Para Bonin, o travamento da proposta não ocorreu por falta de alternativas regimentais, mas sim por conveniência dos próprios governistas. “Se houvesse vontade política, esse assunto seria aprovado. Em Brasília, criam-se argumentos para tudo: para votar, para atrasar, para engavetar”, pontuou.

Silêncio do Planalto e cobranças futuras

Outro ponto criticado foi a total ausência de manifestações públicas do presidente para pressionar os senadores da base a votarem a favor de uma bandeira que ele mesmo defendia. “Ele era tão defensor da agenda que, quando o Congresso começou a discutir, não se viu um discurso, nada que pudesse incentivar a base dos senadores”, destacou o jornalista.

Essa dificuldade de tração política acontece em um cenário de reorganização governamental, no qual o Executivo precisará lidar com reformas ministeriais e novas articulações com o Congresso. Diferente do início do mandato em 2023, o governo não disporá mais do argumento da reconstrução institucional para justificar atrasos. “Agora não tem isso. Tem que começar a dar resultado a partir de já”, alertou Bonin, concluindo que diversas promessas tratadas como simples durante a campanha estão se mostrando complexas na prática.

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