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Jeff Koons leiloa coleção de arte avaliada em US$ 100 milhões

A arte, o dinheiro e as polêmicas de Jeff Koons

Um dos nomes mais emblemáticos da arte contemporânea, Jeff Koons planeja uma nova e expressiva movimentação no mercado global. Aos 71 anos, o criador norte-americano decidiu se desfazer de nove peças de seu acervo particular, cujo valor total gira em torno de 100 milhões de dólares. O objetivo central da iniciativa é capitalizar recursos para reinvestir diretamente no desenvolvimento de suas próprias obras.

Obras de Picasso e Manet vão a leilão em Nova York

A venda das peças será conduzida pela tradicional casa de leilões Christie’s, em Nova York, com início marcado para o dia 17 de novembro. O lote colocado à venda reúne criações de mestres históricos, entre eles Édouard Manet e Pablo Picasso.

O principal destaque da coleção é a pintura Le Baiser, assinada por Picasso. Adquirida por Koons em 2008 pelo montante de 17,4 milhões de dólares, a obra agora tem estimativa de alcançar cerca de 40 milhões de dólares no pregão.

Trajetória marcada por recordes e conexão com Wall Street

Nascido na Pensilvânia, Koons construiu um caminho singular no circuito cultural. Para financiar o início de sua carreira, o artista trabalhou no mercado financeiro de Wall Street. Durante os anos 1980, alcançou notoriedade ao ressignificar itens do cotidiano e transformá-los em arte, utilizando desde aspiradores de pó até brinquedos infláveis.

Mundialmente famoso pelas esculturas monumentais que reproduzem animais moldados em balões, ele atingiu um marco histórico em 2019. Naquele ano, sua obra Rabbit — um coelho feito em aço inoxidável — foi arrematada por 91,1 milhões de dólares, conquistando o recorde de valor mais alto pago por um trabalho de artista vivo em leilão.

Aliança com o luxo e visão pragmática sobre as finanças

A relação estreita com o universo do luxo permanece evidente em seus passos recentes. Em setembro, Koons firmou parceria com a fabricante suíça de relógios Hublot para lançar uma coleção limitada inspirada em seus célebres cães de bexiga, apresentando modelos que chegam a custar 488 mil dólares.

Pai de oito filhos, o norte-americano costuma explicar que sua atenção constante às finanças decorre dos altos custos exigidos para produzir suas esculturas complexas. Ele também lembra com frequência o impacto de ter conhecido Salvador Dalí aos 19 anos, encontro decisivo para que acreditasse na viabilidade de viver exclusivamente da arte.

Ao abordar a histórica ligação entre criatividade e retorno financeiro, Koons mantém uma visão objetiva e sem romantismos: “Michelangelo, Leonardo, Rafael, Rubens, Rembrandt — todos eram extremamente ricos. A ideia de que os artistas devem sofrer é nova”.

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