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Lula classifica viagem de Flávio Bolsonaro aos Estados Unidos como atitude vergonhosa

A reação de Lula à saída de Flávio Bolsonaro do Brasil rumo aos EUA

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva classificou como um ato “vergonhoso” a viagem do senador Flávio Bolsonaro (PL) rumo aos Estados Unidos. A declaração foi dada nesta terça-feira, 27, durante a comemoração do aniversário de 81 anos do petista no Palácio do Alvorada, repercutindo a saída repentina do parlamentar do território nacional.

Repercussão no Alvorada O mandatário aproveitou a ocasião para criticar duramente a postura do adversário político e relembrar sua própria trajetória diante de derrotas eleitorais no passado.

“É impressionante a desfaçatez dele: quando mente, não desrespeita apenas a gente no debate, desrespeita as pessoas em casa. Esse ato de sair do Brasil é vergonhoso”, afirmou Lula.

Comparação com derrotas passadas O chefe do Executivo resgatou episódios em que foi derrotado nas urnas por Fernando Collor e Fernando Henrique Cardoso, além de citar adversários como Geraldo Alckmin e José Serra, destacando que todos permaneceram no país.

“Quando pediram para eu entregar meu passaporte, eu entreguei. Ele deveria ter entregado, porque a Polícia Federal tinha suspeita de que ele ia sair do Brasil e ele tem inquéritos. Mas, lamentavelmente, a família Bolsonaro é isso. O Brasil é a segunda pátria dele; a primeira é lamber as botas dos Estados Unidos”, disse o presidente.

O histórico de permanência no país Lula enfatizou que recusou convites para buscar refúgio em embaixadas no passado e preferiu enfrentar as acusações para comprovar sua inocência perante a Justiça.

“Eu tive muito convite para sair do Brasil e ir para embaixadas”, seguiu Lula. “Resolvi ficar aqui e me entregar à Polícia Federal porque queria desmascarar os meus acusadores e provar a minha inocência. E estou aqui sendo reeleito para mais um mandato por conta de vocês. Por isso, quem não deve não teme. O cidadão que sai escondido do seu país é porque deve alguma coisa, tem medo.”

“Fui lá lamber as feridas e fiquei aqui”, afirmou. “Perdi em 98 e fiquei aqui. Ganhei em 2002, ganhei em 2006, ganhamos em 2010 e 2014, perdemos em 2018 e ficamos aqui. Isso chama-se respeito à democracia. Lamento que ele tenha saído do Brasil, porque poderia ficar aqui e provar que as acusações na imprensa não são verdadeiras. Eu tentei fazer com que ele provasse, fiquei honesto entregando a minha papelada toda na justiça eleitoral — a minha, da minha mulher e dos meus filhos.”

A saída para o exterior Aliados confirmaram a partida do parlamentar para o território norte-americano. O senador eleito Carlos Jordy (PL-RJ) utilizou as redes sociais para confirmar a viagem. “Confirmado! Flávio Bolsonaro foi para os EUA para não ser usado como moeda de troca contra o impeachment de Moraes”, escreveu Jordy no X.

O Departamento de Estado dos Estados Unidos assegurou que a entrada do senador e de sua família será permitida, com a devida concessão de vistos. A movimentação ocorreu após Flávio relatar ter sido intimado pela Polícia Federal para entregar seus passaportes, em cumprimento a uma decisão do ministro Alexandre de Moraes. Como o prazo limite encerrou-se sem a entrega dos documentos, os passaportes comum e diplomático foram cancelados.

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