Uma nova abordagem terapêutica combinando dois medicamentos conseguiu cortar pela metade o risco de morte em pacientes diagnosticados com uma das formas mais agressivas da doença. Os dados do estudo de fase 3 DeLLphi-305 foram revelados em Madri durante o Congresso da Sociedade Europeia de Oncologia Médica (ESMO) e surpreenderam a comunidade científica presente.
Resultados expressivos do estudo clínico
A pesquisa focou na inclusão da imunoterapia tarlatamabe junto ao durvalumabe como terapia de manutenção após a quimioterapia inicial. Os pacientes que receberam a dupla terapia alcançaram uma sobrevida global mediana de 21,1 meses, enquanto o grupo de controle, tratado apenas com durvalumabe, registrou 12,7 meses.
Essa diferença expressiva de 8,4 meses representou uma redução de 58% no risco de óbito durante o período analisado. “Sem dúvida, isso deve ser um novo padrão de tratamento para o câncer de pulmão de pequenas células”, afirmou o oncologista Jacob Sands em coletiva de imprensa.
Impacto na progressão do tumor
O tumor pulmonar de pequenas células representa entre 10% e 15% de todos os diagnósticos da doença e se espalha com muita velocidade. No protocolo avaliado, os voluntários passaram por quatro ciclos de quimioterapia com platina e etoposídeo aliados ao durvalumabe, antes de serem divididos para receber ou não o tarlatamabe.
Além de ampliar a sobrevida global, a combinação garantiu mais tempo sem o avanço da moléstia. A sobrevida livre de progressão saltou de 1,9 mês no grupo padrão para 7,4 meses na associação medicamentosa, significando uma queda de 66% no risco de agravamento ou morte. A taxa de resposta com redução significativa do tumor foi de 26,4% frente a 4,1% do grupo controle.
Avanço duradouro para os pacientes
Sands enfatizou que a separação entre as curvas de sobrevida superou os ganhos modestos comuns em pesquisas oncológicas anteriores. O especialista ressaltou que 38% dos participantes que usaram os dois compostos continuavam sem avanço da enfermidade após doze meses, um índice considerado incomum para o quadro.
“Estamos fazendo toda essa pesquisa para ganhar alguns meses de sobrevida. O que vemos aqui é que uma parcela substancial dos pacientes parece estar se beneficiando de forma duradoura”, afirmou. Com um acompanhamento mediano de aproximadamente 16 meses, os dados ainda são preliminares e exigem novas atualizações para mensurar o limite do benefício.
Mecanismo de ação dos medicamentos
O durvalumabe atua como uma imunoterapia que inibe a proteína PD-L1, estratégia utilizada pelo tumor para driblar a resposta imune do organismo. Com o bloqueio dessa via, as defesas naturais recuperam a capacidade de identificar e atacar o tecido maligno.
Por sua vez, o tarlatamabe funciona como um anticorpo biespecífico que conecta os linfócitos T — células de defesa primárias — diretamente às estruturas cancerígenas que carregam a proteína DLL3. Esse direcionamento potencializa a destruição das células doentes pelo próprio sistema imunológico do paciente.
















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