O mercado financeiro brasileiro registrou fortes perdas nesta segunda-feira (26), com papéis de grandes companhias do varejo e da construção civil despencando quase 50% logo na primeira sessão de negócios após o pleito.
Impacto no varejo e consumo
Por volta do meio-dia, os papéis do Magazine Luiza e do Assaí figuravam entre as baixas mais expressivas da Bolsa, recuando cerca de 48%. No mesmo horário, marcas como Lojas Renner e Azzas 2154 — dona de nomes como Arezzo e Schutz — também amargavam desvalorizações de aproximadamente 38% e 37%, respectivamente.
A reação negativa dos investidores esteve diretamente associada ao avanço do dólar e dos contratos de juros futuros, cujas taxas para os vencimentos mais longos superaram a marca de 16% durante a manhã.
Pressão sobre o setor imobiliário
As construtoras sofreram impactos severos em virtude de um cenário de crédito mais restrito. Por volta das 11h10, companhias como Cyrela e MRV registravam tombos de 43,4% e 40,5%, respectivamente, enquanto Cury, Direcional e Tenda também operavam em forte baixa.
O encarecimento do dinheiro afeta a cadeia de ponta a ponta: encarece o financiamento corporativo e encarece o crédito imobiliário para o consumidor final, pressionando as margens de todo o setor.
Interrupção temporária e cenário político
Diante da volatilidade e da intensidade das perdas, a B3 precisou acionar o mecanismo de circuit breaker, suspendendo as negociações por 30 minutos antes de retomá-las em formato de leilão.
O tombo refletiu uma repactuação de expectativas após a confirmação da reeleição de Luiz Inácio Lula da Silva, que obteve 51,79% dos votos válidos contra 48,21% de Flávio Bolsonaro, conforme dados oficiais do Tribunal Superior Eleitoral.
Com a mudança no cenário político em relação às apostas pré-eleitorais de parte do mercado, investidores passaram a exigir prêmios maiores para manter recursos aplicados no país, deixando a estabilidade futura dependente dos rumos fiscais do novo governo.
















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