Em mensagens trocadas durante o ano de 2024, o advogado Fábio Medina Osório, que representava os interesses do Banco Master, buscou atrair o banqueiro Daniel Vorcaro para uma celebração de grande porte em Brasília. A justificativa era colocar o empresário em contato direto com integrantes da alta cúpula política e judiciária do país, incluindo o ministro do Superior Tribunal de Justiça (STJ) Ricardo Villas Bôas Cueva e sua esposa, a advogada Adriana Queiroz.
Promessa de acesso privilegiado a autoridades em Brasília
Na tentativa de convencer o bilionário a viajar para o Distrito Federal, Medina Osório afirmou que a recepção contaria com a presença da “cúpula do Judiciário e de representantes dos outros poderes da República”. Para garantir o comparecimento de Vorcaro, o jurista listou nomes de peso e destacou as acomodações do encontro.
“Colocarei você numa mesa com a PGFN (integrantes da Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional) e o Gonet (chefe da PGR)”, disse Medina. O defensor ainda avisou que haveria “vários ministros do STJ” e um contingente de centenas de pessoas com presença confirmada.
Entre os atrativos prometidos pelo defensor estava a oportunidade de estreitar laços com o ministro Cueva, atual corregedor-geral da Justiça Eleitoral, além de articular tratativas profissionais com sua mulher. Conforme as mensagens enviadas por Medina, a advogada desempenharia papel importante: “E ministro Cueva com esposa, que é a minha parceira para resolver o assunto da transação”.
A insistência do defensor e a recusa do banqueiro
Mesmo com a lista de presenças ilustres — que incluía potenciais convidados como o ministro do STF Nunes Marques e o advogado-geral da União, Jorge Messias —, o dono do Banco Master relutou em participar. A hesitação fez o advogado intensificar os pedidos de confirmação.
“Preciso saber se você vem para te colocar na mesa da procuradora-geral da Fazenda Nacional, do Isaac e do ministro Cueva do STJ”, disse Medina.
Apesar da insistência, Vorcaro alegou compromissos de ordem familiar e declinou o convite. Com isso, não compareceu à comemoração, apontada na época pela imprensa local como “a festa mais impactante de Brasília dos últimos anos”.
O que dizem os envolvidos sobre os contatos
Procurado para esclarecer o episódio, o gabinete do ministro Ricardo Villas Bôas Cueva se manifestou por meio de comunicado formal: “O ministro Ricardo Villas Bôas Cueva mantém amizade pessoal com Fábio Medina Osório há mais de duas décadas, e as famílias de ambos são próximas. O ministro jamais esteve ou conversou com Daniel Vorcaro e nunca aceitou, em qualquer circunstância, tentativa de acesso alheia ao devido processo legal”.
Já Fábio Medina Osório justificou que a menção a Adriana Queiroz visava prestar suporte em pendências tributárias ligadas à Universidade Luterana do Brasil (Ulbra), processo que já estava sob seus cuidados na época e no qual Vorcaro mantinha interesse.
“A referência a Adriana Queiroz foi no sentido de apresentar a Vorcaro uma potencial parceira de trabalho minha para lhe auxiliar numa eventual transação tributária na Ulbra. No entanto, ele não compareceu ao evento, eu não participei da transação tributária envolvendo a Ulbra e oferecemos ao Vorcaro a oportunidade de realizar um compliance investigativo em suas estruturas para propor um acordo de leniência com o Banco Central, o que foi recusado por ele. Posteriormente, rompemos o contrato, registramos em ata notarial todos os diálogos e comunicamos irregularidades a auditoria independente”, diz Medina Osório.
Embora a advogada Adriana Queiroz tenha trabalhado com Medina em acordos extrajudiciais perante a União, nenhuma dessas atuações possui conexão formal com as operações do Banco Master.
















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