O padre Fábio de Melo, 55, abriu o jogo recentemente sobre a sua convivência diária com a depressão crônica e como essa condição de saúde mental impacta profundamente o seu cotidiano. A declaração foi dada durante participação no programa Sem Censura, transmitido pela TV Brasil na última quinta-feira, 15, momento em que o religioso detalhou a necessidade de ajustar sua rotina para conseguir gerenciar sentimentos que o acompanham ao longo dos anos.
Os impactos da doença ao despertar Segundo o religioso, o desafio de encarar os dias começa logo nas primeiras horas da manhã, um padrão que o acompanha desde a infância.
“Desde que eu me entendo por gente, eu nunca acordei feliz”, afirmou.
O padre comparou esse estado a uma sombra que o persegue permanentemente, independentemente do cenário externo, embora enxergue nesse traço uma conexão direta com a sua capacidade artística e inventiva.
“Eu posso estar no melhor lugar do mundo, mas não acordo feliz. É meu, é uma sombra que eu levo, e eu acredito que a sombra seja o lado positivo da minha criatividade”, refletiu.
Oscilações de humor e planos noturnos Outro ponto abordado durante a entrevista foi a gangorra emocional que experimenta entre a noite e o dia seguinte. Para ele, o entusiasmo e o planejamento feitos no período noturno muitas vezes desaparecem ao amanhecer.
“Tudo aquilo que eu decidi à noite, que eu estava superfeliz, no outro dia eu amanheço arrependido”, contou.
Histórico de tratamento e medicamentos O diagnóstico público da depressão crônica aconteceu em 2018, período em que o padre dividiu com o público sua batalha contra o transtorno e o enfrentamento de uma crise severa no ano anterior.
Ao recordar os altos e baixos da medicação, ele ponderou sobre o efeito dos remédios em sua essência humana e sensibilidade artística.
“Quando eu tomava muitos remédios, eu ficava ótimo para os outros. Já acordava felizinho, não tinha conflitos, mas também não tinha nenhum processo humano em ebulição que me ajudasse a ser quem eu sou. E eu não quero isso”, declarou.
Atualmente, após acertar a dosagem e o tipo de fármaco com acompanhamento médico, o padre consegue administrar melhor os sintomas, embora reconheça que o transtorno continua impondo barreiras diárias.
















Leave a Reply