A veterana Betty Faria abriu o jogo sobre um antigo conflito nos bastidores da televisão que marcou profundamente a sua carreira artística. A famosa buscou o dramaturgo Manoel Carlos (1933-2026) para protestar contra a baixa relevância de sua personagem na novela Baila Comigo, exibida em 1981, mas a atitude resultou em um duradouro afastamento das produções do escritor.
Bastidores de Baila Comigo Na história dirigida ao público daquela década, a artista encarnava a professora de dança Joana Lobato. Mesmo avisada previamente pela direção da emissora de que o papel não correspondia ao seu status na época — já que vinha do grande sucesso como protagonista absoluta em Água Viva, sob a batuta de Gilberto Braga —, ela insistiu em aceitar o convite por causa da importância de difundir a arte coreográfica no país.
“Aprendi a não chatear autor. Encontrava com ele anos depois, no shopping, e pensava: ‘ele deve estar pensando: lá vem a Betty Faria falando do papel’, fiquei com essa paranoia. Fiz essa novela porque achava que era importante divulgar a dança no Brasil. Quando fui convidada, o Boni na época, que era o diretor geral, disse: ‘não é papel para você’. Porque eu vinha de Água Viva, protagonista absoluta do Gilberto Braga, mas eu teimei. E aí fazia dança, era uma professora de dança, mas texto mesmo, chegava no balcão e pedia um suco de caju. Não soube manerar meu ego porque o ego das atrizes é imenso”.
Consequências e reflexões O descontentamento com as falas limitadas, resumidas a pedidos simples em balcões, evidenciou um momento de vaidade profissional que a atriz hoje reconhece com franqueza. O episódio serviu como um divisor de águas em sua relação com os criadores de teledramaturgia ao longo das décadas seguintes.
















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