Recém-chegada de uma missão de oito meses na Estação Espacial Internacional (ISS), a astronauta francesa Sophie Adenot afirmou que a humanidade ainda não possui condições técnicas para realizar voos tripulados ao planeta vermelho.
Desafios tecnológicos e fisiológicos
Segundo a especialista, que discursou nesta terça-feira, 13, durante um evento da Agência Espacial Europeia (ESA) em Colônia, na Alemanha, são imprescindíveis inovações drásticas na engenharia espacial. Atualmente, o trajeto até o corpo celeste leva de seis a nove meses, intervalo que exige o desenvolvimento de sistemas de gravidade artificial e motores muito mais potentes.
“Não estamos preparados, precisamos de avanços tecnológicos revolucionários”, destacou nesta terça-feira, 13, durante uma coletiva de imprensa organizada pela Agência Espacial Europeia (ESA) em Colônia, na Alemanha, cinco dias depois de pousar no oceano Pacífico.
A profissional também enfatizou os impactos biológicos severos enfrentados pelos tripulantes após períodos prolongados em órbita, lembrando que mais da metade dos viajantes espaciais sofre com náuseas severas e perda significativa de força física ao retornarem ao nosso planeta.
“Com a tecnologia que temos atualmente, uma missão de duração muito longa… Imaginem o desastre. Encontraríamos limitações fisiológicas e dificuldades para realizar as tarefas mais básicas”, afirmou.
O impacto do retorno à Terra
A volta ao solo terrestre traz sensações físicas desconfortáveis que ilustram a dificuldade de adaptação do corpo humano após longas jornadas longe da gravidade terrestre. A astronauta relatou o impacto imediato de pisar em terra firme após o pouso no oceano Pacífico.
“Logo depois que a cápsula foi aberta, a primeira coisa que eu disse foi: ‘Me enviem de volta para o espaço’, porque eu me sentia mal com o balanço do mar. Pensava que isso não podia ser possível, que lá em cima era melhor (…). Mas a segunda coisa que eu disse foi que não estamos preparados para ir a Marte”, declarou.
Iniciativas da Nasa para o futuro
Para contornar esses obstáculos e mitigar riscos em explorações futuras à Lua e a Marte, a agência espacial dos Estados Unidos planeja iniciar em agosto de 2027 um programa inédito de confinamento com voluntários.
O projeto, batizado de Moon and Mars Explorations Analog, unirá as metodologias do HERA e do CHAPEA para recriar o cotidiano de uma espaçonave e de uma base planetária. O objetivo principal é coletar dados cruciais sobre o comportamento humano, a saúde física e mental e testar equipamentos em condições extremas de recursos limitados.
















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