O confronto entre Santos e Flamengo pela 29ª rodada do Campeonato Brasileiro terminou empatado em 2 a 2 nesta quinta-feira, 8, na Vila Belmiro. O Rubro-negro abriu uma vantagem de dois gols na primeira etapa, com tentos anotados por Danilo e Lucas Paquetá, mas viu o cenário desmoronar na reta final após a entrada de Neymar, que saiu do banco para igualar o marcador convertendo duas penalidades. No entanto, o grande assunto do pós-jogo foi a atuação do árbitro Anderson Daronco, cuja condução da partida gerou paralisações e revolta nos bastidores.
A confusão no primeiro pênalti
O lance capital do duelo ocorreu aos 26 minutos do segundo tempo. O volante Jorginho caiu no limite da grande área e acabou tocando a mão na bola. Inicialmente, Anderson Daronco assinalou apenas falta fora da área e aplicou cartão amarelo ao jogador rubro-negro. O jogo permaneceu paralisado por quase cinco minutos até que o VAR sugeriu a revisão no monitor. Após conferir as imagens, o juiz mudou de ideia, apontou para a marca da cal e expulsou o atleta flamenguista, deixando o gramado paralisado por quase dez minutos no total até a cobrança bem-sucedida de Neymar.
Apesar da enorme demora na decisão, a intervenção do árbitro de vídeo encontrou respaldo em análises especializadas. O ex-árbitro de Copa do Mundo Carlos Eugênio Simon avalizou a conduta da equipe de arbitragem em publicação nas redes sociais.
“Jorginho cai e abraça a bola em cima da linha da área de pênalti. O árbitro marcou fora e apresentou o cartão amarelo. O VAR interveio corretamente. Ele voltou apontando para a marca da cal e cartão vermelho para o jogador do Flamengo. Decisão correta”, disse Simon em vídeo nas redes sociais.
A segunda penalidade contestada
Com um jogador a mais em campo, o time santista partiu em busca da igualdade. Na reta final, Gabigol avançou em disputa de bola com Luiz Araújo, caiu na área e Daronco apontou novamente para a marca do pênalti. Ao contrário do lance anterior, Carlos Eugênio Simon criticou duramente a marcação tomada pelo árbitro de campo.
“Gabriel entra na área, numa disputa de bola com o Luiz Araújo, toca a bola à frente e há um toque no seu pé, mas não o suficiente para derrubá-lo. Ele valoriza, o árbitro vai na dele e aponta para a marca da cal. Isso não é pênalti”, afirmou Simon.
Mesmo com a contenda sobre a legitimidade da falta, Neymar assumiu a responsabilidade mais uma vez, balançou as redes e decretou o 2 a 2 definitivo na Vila Belmiro.
Reclamações do atleta expulso
Autor da falta que originou a expulsão e o primeiro gol santista, Jorginho não escondeu a insatisfação com a condução disciplinar e técnica da partida por parte de Anderson Daronco, questionando inclusive critérios adotados durante os dois tempos.
“Na minha opinião, ele conseguiu fazer o pior cenário possível. Ele conseguiu ir no VAR olhar e teve a possibilidade e a oportunidade de poder voltar atrás. Mas tomou a decisão de dar essa dupla penalidade. Então, não dá para voltar atrás. Dá só para seguir adiante e tentar melhorar”, avaliou o volante em entrevista pós-jogo.
O meio-campista ítalo-brasileiro também apontou uma mudança perceptível de postura na aplicação de regras de tempo de jogo entre a etapa inicial e o tempo complementar, sugerindo duplo critério em campo.
“Eu vou dar um exemplo muito simples e direto. Começa o jogo, não contam os 5 segundos do nosso tiro de meta. Está 0 a 0, está tudo tranquilo. De repente começa o segundo tempo e a bola mal sai e começa os 5 segundos da contagem. Com isso, acredito que já se diz muito e você percebe de dentro de campo. Então, por que começa o jogo e não começa a contagem quando a bola sai? E que está tudo bem, porque você tem um pouco do controle do jogo, está tudo certo. Se você esperar um segundo a mais, dois segundos a mais, não tem problema. Só que quando vira para o segundo tempo, que está 2 a 0 para nós, a bola mal sai e já tem um braço levantado contando. Então, é essa, entre outras coisas, que você percebe dentro de campo.”
Autocrítica e maturidade do elenco
Apesar das críticas direcionadas à arbitragem, o jogador rubro-negro fez questão de reconhecer os erros cometidos pelo próprio time, destacando a necessidade de maior pragmatismo em momentos de forte pressão adversária.
“Talvez dar um chutão, jogar feio não seja um problema. Talvez a gente possa melhorar nessa maturidade de entender quando realmente você pode sair jogando. E quando está difícil, porque tem um adversário e às vezes é melhor você pegar e dar um balão. E está tudo certo, está tudo bem. Então, talvez, uma equipe com jogadores desse tamanho, a gente deveria sim não cometer esses erros, essa é a realidade. Eu, principalmente, na minha posição, com o erro que eu cometi, eu sou o primeiro que vou me olhar no espelho e estou muito chateado com o que aconteceu. E espero que cada um faça o mesmo.”
Com o resultado fora de casa, o líder do campeonato desperdiça a oportunidade de ampliar a vantagem na tabela, enquanto o clube paulista comemora o ponto conquistado heroicamente nos acréscimos.
















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