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Novaya Gazeta encerra atividades na Rússia após intensa pressão estatal

Jornal independente russo ‘Novaya Gazeta’ anuncia fechamento sob pressão do Kremlin

O Novaya Gazeta, considerado um dos principais pilares do jornalismo livre na Rússia, confirmou que encerrará suas atividades nesta sexta-feira, 30. A decisão ocorre em meio a uma escalada de intimidações por parte da administração de Vladimir Putin, que incluiu a invasão policial à residência do editor-chefe e a detenção de profissionais da redação.

Fim de uma era no jornalismo russo

“O Novaya Gazeta está deixando de existir”, afirmou o editor-chefe Sergei Sokolov em uma declaração no YouTube. “As autoridades russas, os serviços secretos russos, obrigaram a redação a encerrar seu trabalho”, acrescentou.

Desde o deflagrar do conflito com a Ucrânia no início de 2022, o governo russo implementou barreiras informacionais semelhantes às da antiga União Soviética. Essa situação forçou grande parte dos repórteres independentes a buscarem refúgio fora do território nacional, enquanto o veículo sofria com a pecha de “agente estrangeiro”, termo estratégico empregado para abafar vozes críticas.

Perseguição implacable aos profissionais da mídia

“Mataram o Novaya Gazeta“, afirmou Sokolov. “No dia 9 de novembro apagaremos as luzes da nossa casa, onde vivemos durante 30 anos. Desligaremos os servidores e vamos embora.”

Enquanto emissoras estatais e alinhadas ao Kremlin controlam a maior parte da atenção do público local, estudos de organizações como o instituto V-Dem mostram uma queda histórica na liberdade de imprensa no país. Na atualização mais recente do ranking elaborado pelo Repórteres Sem Fronteiras (RSF), a nação ocupa a 172ª colocação entre 180 territórios avaliados, registrando apenas 23,15 pontos.

As investidas judiciais e policiais intensificaram-se recentemente com o interrogatório do dirigente do periódico e buscas em seu domicílio, desdobramentos de um inquérito contra o repórter Oleg Rolduguin. Detido em abril, o jornalista foi formalmente acusado de “acesso ilícito a informações”, embora os detalhes do caso permaneçam restritos. Conforme a agência estatal RIA Novosti, o acusado nega as imputações.

Prisão de jornalistas e o legado do Nobel

Dados consolidados pelo RSF apontam que ao menos 34 profissionais de imprensa e 14 colaboradores seguem encarcerados no território russo. O veículo já havia diminuído expressivamente sua circulação interna após o início das hostilidades contra a Ucrânia, ano em que sua licença oficial de comunicação foi cassada.

A relevância internacional do projeto foi reconhecida em 2021, quando o então líder da redação, Dmitri Muratov, foi laureado com o Prêmio Nobel da Paz — compartilhado com a jornalista filipina Maria Ressa —, em virtude de sua luta incansável pela salvaguarda da liberdade de expressão.

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