Uma nova alternativa terapêutica baseada em substâncias psicodélicas apresentou resultados animadores no combate à depressão resistente a tratamentos convencionais, condição que afeta até 30% dos pacientes diagnosticados e está ligada a uma menor expectativa de vida e maior risco de suicídio.
O potencial dos psicodélicos na neurociência
Diante da necessidade de novas abordagens para transtornos psiquiátricos como ansiedade e depressão, a ciência tem voltado sua atenção para moléculas que alteram o estado mental. Substâncias como a psilocibina de cogumelos e o LSD ganharam espaço em pesquisas recentes devido à capacidade de atuar nos circuitos cerebrais.
Nesse cenário, o foco se voltou para o anfíbio Incilius alvarius, encontrado no deserto de Sonora, entre o México e os Estados Unidos. A secreção desse animal contém mebufotenina, também conhecida como 5-metoxi-N,N-dimetiltriptamina, capaz de influenciar a plasticidade cerebral e a liberação de neurotransmissores ligados aos quadros depressivos.
Resultados do ensaio clínico de fase 2
Para validar os dados obtidos em laboratório, uma equipe internacional de cientistas conduziu um estudo entre 2023 e 2025, publicado no periódico JAMA. A pesquisa acompanhou 193 pessoas entre 18 e 75 anos, divididas em 38 centros médicos na Europa, Estados Unidos e Austrália, todas diagnosticadas com depressão moderada a grave sem resposta aos remédios tradicionais.
Os voluntários interromperam o uso de antidepressivos e foram separados em grupos que receberam doses únicas de benzoato de mebufotenina via spray nasal — de 12 mg, 8 mg ou uma dose mínima de controle de 0,3 mg —, além de acompanhamento psicológico.
No vigésimo nono dia, as taxas de resposta alcançaram 35%, 34% e 12% nos grupos de 8 mg, 12 mg e na dosagem mínima, respectivamente. Já a remissão dos sintomas foi de 26% (8 mg), 18% (12 mg) e 8% (dose mínima), com reações adversas classificadas como leves a moderadas e passageiras.
Próximos passos e perspectivas
Os pesquisadores concluíram que a aplicação única da substância foi bem tolerada, proporcionando alívio veloz e duradouro. Se validada por novas etapas, a medicação pode “melhorar o acesso e a conveniência do tratamento, exigindo um período de monitoramento mais curto em comparação com a psilocibina e a escetamina”.
A publicação médica destacou o avanço como uma possível “mudança de paradigma” no manejo da doença. O próximo passo envolve a realização da fase 3 de testes para confirmar a segurança e a eficácia em larga escala, além de determinar as dosagens ideais.
















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