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Estudo comprova que anos a mais na escola diminuem risco de demência

Estudo aponta que educação pode reduzir risco de demência em longo prazo

Um ano adicional de estudos pode diminuir o risco de surgimento de condições cognitivas, como o Alzheimer — que atinge 57 milhões de pessoas globalmente —, por um período de até meio século. A conclusão é de uma pesquisa realizada por instituições dos Estados Unidos que conseguiu estabelecer uma relação direta de causa e efeito entre a instrução acadêmica e a saúde cerebral.

O marco legal britânico como base metodológica

Para contornar o desafio de criar um grupo de controle em investigações sobre intervenções educacionais de longa duração, os cientistas aproveitaram uma mudança legislativa ocorrida em 1972 no Reino Unido. Naquela época, uma lei elevou a idade escolar obrigatória de 15 para 16 anos na Escócia, na Inglaterra e no País de Gales, afetando diretamente os estudantes nascidos após setembro de 1957 e provocando um salto de 14% na permanência dos jovens nas salas de aula.

“Sabemos há muito tempo que pessoas com maior escolaridade têm menor probabilidade de desenvolver demência, mas era difícil determinar se a própria educação era responsável por esse efeito”, disse, em comunicado, Silvia Barcellos , economista da saúde afiliada ao Centro de Pesquisa Econômica e Social do Instituto Schaeffer da USC e à Universidade de Wisconsin-Madison.

Análise de dados e impacto na genética

Utilizando informações médicas de mais de 100 mil indivíduos presentes no banco genético e de saúde britânico UK Biobank, a equipe acompanhou os registros até o final de 2022, quando a faixa etária mais velha atingiu 65 anos. O resultado apontou uma queda de 0,88% na incidência de quadros demenciais ao longo das cinco décadas subsequentes entre aqueles que foram alcançados pela nova regra escolar.

“Essas descobertas reforçam o entendimento de que o risco de demência é determinado por fatores que vão além da constituição genética de um indivíduo, e que mudanças como um período maior de escolaridade podem compensar uma vulnerabilidade herdada”, afirmou Richard Hodes, médico e diretor do Instituto Nacional sobre o Envelhecimento (NIA), vinculado aos NIH.

Benefícios socioeconômicos e o grupo de alto risco

Além do estímulo cognitivo direto, a permanência prolongada nos bancos escolares gerou vantagens socioeconômicas, como o acesso a empregos melhores, e reflexos positivos na saúde geral, a exemplo da queda de episódios cardiovasculares. Embora o índice de 0,88% pareça modesto à primeira vista, os especialistas destacam que ele ocorreu em uma população de baixa taxa geral de demência e incluiu indivíduos portadores de variantes genéticas associadas ao Alzheimer.

“Para pessoas que sabem que têm um risco genético maior de demência, esta é uma descoberta promissora”, disse também em comunicado, Leandro Carvalho , professor associado de economia da USC. “Os genes ajudam a moldar o risco de doenças, mas não determinam necessariamente o resultado. Nossos resultados sugerem que experiências e circunstâncias que podem ser alteradas ao longo da vida podem influenciar se a suscetibilidade hereditária se traduzirá em doença.”

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